*Por Rafael Duarte
Introdução
Você sabe o que a sua startup realmente tem, quanto deve e quanto efetivamente vale? Se a resposta para essa pergunta for um pouco confuso, é sinal de que já passou da hora de você, enfim, conhecer — ou revisitar — o Balanço Patrimonial. Não se trata apenas de uma obrigação contábil para “prestar contas” ao fisco. O balanço é, na verdade, um instrumento poderoso de gestão, que ajuda o empreendedor a tomar decisões com base em dados concretos, identificar problemas financeiros ocultos, corrigir rotas e até atrair investidores com uma estrutura empresarial mais sólida e transparente.
Hoje, portanto, vamos te mostrar de forma didática e objetiva como funciona um Balanço Patrimonial: quais são seus componentes (ativos, passivos e patrimônio líquido), como eles se dividem entre circulantes e não circulantes, qual é a lógica contábil por trás da estrutura, como montar o seu próprio balanço com base em passos práticos e, ainda, como extrair indicadores financeiros valiosos para avaliar liquidez, rentabilidade e endividamento. Ainda você terá acesso a um exemplo prático de balanço com todos os itens que você pode encontrar no dia a dia da sua operação. Tudo isso com foco na aplicabilidade direta à gestão da sua startup, pouco importando se você tem ou não experiência ou conhecimento em Direito ou Contabilidade.
Para que serve o Balanço Patrimonial na prática?
O Balanço Patrimonial cumpre diversas funções estratégicas no cotidiano empresarial. Além de ser uma obrigação legal para grande parte das empresas, ele é uma ferramenta indispensável para uma série de finalidades:
a) Analisar o comportamento financeiro do negócio;
b) Compreender o trajeto dos recursos financeiros;
c) Elaborar o planejamento estratégico;
d) Apoiar o planejamento tributário, com vistas à economia fiscal;
e) Tomar decisões financeiras fundamentadas;
f) Apresentar dados objetivos a investidores e parceiros.
Além disso, o próprio conteúdo do Balanço — que compreende a listagem de bens, direitos, recursos e investimentos — oferece ao gestor uma leitura ampla sobre a posição financeira da empresa, facilitando decisões táticas e estratégicas.
Obrigatoriedade e base legal do Balanço Patrimonial
A legislação brasileira prevê expressamente a obrigatoriedade da escrituração contábil e da apresentação do balanço patrimonial para determinados tipos societários:
- Sociedades Limitadas: conforme os artigos 1.020, 1.065 e 1.078, I, do Código Civil;
- Sociedades Anônimas: conforme o § 1º do art. 176 da Lei 6.404/76.
As microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes do Simples Nacional são, por sua vez, dispensadas da elaboração do Balanço Patrimonial, uma vez que a legislação própria lhe confere a prerrogativa de adotar uma contabilidade simplificada (art. 27 da LC nº 123/2006)1.
Entretanto, mesmo para empresas do Simples Nacional, o Relatório Contábil com as movimentações financeiras (lançado no Livro Diário) continua obrigatório. Essa imposição provém da Resolução CFC 1.330/20112, cabendo observar o modelo amparado na NBC ITG (Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica – Geral) nº 10023.
Estrutura lógica do Balanço Patrimonial
A principal lógica contábil do Balanço baseia-se na seguinte equação:
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
Esse equilíbrio é fundamental e precisa ser mantido. O patrimônio líquido será sempre a diferença entre os ativos e os passivos. Dessa forma, quando ativos e passivos oscilam, o PL também se ajusta, garantindo a integridade do modelo contábil. É justamente daí que se obtém o nome “balanço”; como os “ativos” precisam ser sempre iguais a “passivos + patrimônio líquido”, deve-se sempre ter um equilíbrio financeiro (“balanço”) nessa equação.
Sendo assim, sempre que a empresa tiver mais passivos do que ativos, como forma de assegurar esse equilíbrio matemático, o patrimônio líquido será negativo. Para isso, tomemos o exemplo de uma empresa em que seus Ativos totalizam R$ 450 mil e Passivos totalizam R$ 800 mil:
Patrimônio Líquido = Ativos – Passivos
Patrimônio Líquido = R$ 450.000,00 – R$ 800.000,00 = – R$ 350.000,00
Patrimônio Líquido = – R$ 350.000,00
Entendendo os Componentes do Balanço
Ativos e Passivos
Ativos são todos os bens, direitos e recursos que possam gerar valor econômico para a empresa. Os ativos trazem consigo o potencial de contribuir, direta ou indiretamente, para o fluxo de caixa ou equivalentes de caixa de determinada entidade. Também será considerado ativo tudo aquilo que a sociedade possuir e que tiver a aptidão de reduzir as suas saídas de caixa; um exemplo disso é a posse de um processo industrial alternativo que reduz custos de produção. Exemplos de Ativos: máquinas, equipamentos, veículos, móveis, contas a receber etc.
Passivos, por sua vez, representam as obrigações e dívidas da empresa, sendo tudo aquilo, portanto, que constitui algum compromisso perante terceiros, pouco importando se são empregados, prestadores de serviços, parceiros, Fisco, fornecedores etc. São exemplos de passivos: salários, contas mensais, tributos, empréstimos bancários, mútuos conversíveis etc.
Ativos Circulantes e Não Circulantes
Ativos Circulantes: são bens e direitos com conversão esperada em dinheiro em prazo inferior a um ano. Dentro desse grupo, podemos mencionar: caixa, equivalentes de caixa, estoques, contas a receber etc. Para fins de compreensão, o caixa deve ser entendido como o dinheiro em poder da empresa ou em contas bancárias passíveis de saque imediato (“hot money”), ao passo que os equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo e alta liquidez (ex.: aplicações em renda fixa, em títulos públicos ou privados, de alta liquidez).
Ativos Não Circulantes: são bens e direitos com prazo de conversão superior a um ano. Como exemplos, investimentos de longo prazo, bens imóveis, ativos imobilizados ou intangíveis, bem como participações societárias em outras empresas.
Passivos Circulantes e Não Circulantes
Passivo Circulante: contempla obrigações com vencimento inferior a um ano, tendo como exemplos os tributos a recolher, bem como pagamentos de salários e fornecedores. Da mesma forma, empréstimos cujo pagamento deverá se dar em até 12 (doze) meses.
Passivo Não Circulante: obrigações financeiras com vencimento superior a um ano. Como exemplos, os empréstimos de longo prazo (período superior a 12 meses), garantias de aporte, debêntures emitidas.
Patrimônio Líquido
O Patrimônio Líquido representa os recursos próprios da empresa: valores aportados pelos sócios, capital social, reservas de lucros, e resultados acumulados. Reflete o retorno que os proprietários tiveram – ou não – com o negócio em determinado período.
Quanto ao conteúdo desse item do Balanço Patrimonial, cabe informar que o Patrimônio Líquido é o somatório de Capital Social, Reserva de Capital e Lucros Retidos: (i) Capital Social – valor das quotas/ações emitidas conforme o registro contábil realizado (sem relação direta com o valor mercadológico); (ii) Reserva de Capital – diferença entre o valor de emissão de novas quotas/ações em relação ao valor inicial; e (iii) Lucros Retidos – dinheiro que a companhia gerou subtraída de qualquer parcela de lucro que tenha sido paga aos quotistas/acionistas em forma de dividendos ou empregado na recompra de participação societária.
Exemplo de Balanço Patrimonial
Agora que você já sabe quais são os itens que compõem o Balanço Patrimonial, vamos conferir como fica a efetiva disposição de tudo isso num exemplo hipotético:
| ATIVO | VALOR (R$) | PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO | VALOR (R$) |
| ATIVO CIRCULANTE | PASSIVO CIRCULANTE | ||
| Caixa e Equivalentes de Caixa | 50.000,00 | Fornecedores a Pagar | 20.000,00 |
| Aplicações Financeiras de Curto Prazo (CDB) | 15.000,00 | Obrigações Trabalhistas | 22.000,00 |
| Contas a Receber (Clientes) | 80.000,00 | Tributos a Recolher | 18.000,00 |
| (-) PCLD4 | (5.000,00) | Empréstimos de Curto Prazo | 30.000,00 |
| Estoques | 25.000,00 | Despesas Provisionadas e Outras Obrigações | 10.000,00 |
| Despesas Antecipadas | 10.000,00 | Total Passivo Circulante | 100.000,00 |
| Total Ativo Circulante | 175.000,00 | ||
| ATIVO NÃO CIRCULANTE | PASSIVO NÃO CIRCULANTE | ||
| Investimentos | 40.000,00 | Empréstimos de Longo Prazo | 90.000,00 |
| Imobilizado | 110.000,00 | Mútuo Conversível5 | 30.000,00 |
| Intangível | 75.000,00 | Provisão p/ Contingências Fiscais | 10.000,00 |
| Total Ativo Não Circulante | 225.000,00 | Total Passivo Não Circulante | 130.000,00 |
| TOTAL DO ATIVO
|
400.000,00
|
PATRIMÔNIO LÍQUIDO | VALOR (R$) |
| Capital Social | 100.000,00 | ||
| Reservas de Lucros | 35.000,00 | ||
| Lucros Acumulados do Exercício | 135.000,00 | ||
| Total Patrimônio Líquido | 270.000,00 | ||
| TOTAL DO PASSIVO + PL | 400.000,00 | ||
Como montar um Balanço Patrimonial na prática?
Para que se consiga elaborar efetivamente um balanço patrimonial, alguns passos operacionais precisam ser observados:
a) Reunir ativos e passivos e organizá-los com base em suas naturezas e prazos;
b) Promover a conciliação de saldos contábeis, comparando os dados com extratos bancários, livros diários e demais documentos;
c) Reclassificar as contas patrimoniais, atualizando os saldos para refletir a realidade financeira atual;
d) Calcular os lucros ou prejuízos do exercício; e
e) Classificar as contas patrimoniais, observando que os resultados positivos são lançados como lucros acumulados, ao passo que os negativos entram como prejuízos.
Indicadores que podem ser extraídos do Balanço
Perfeito. Você já tem o balanço patrimonial bem desenvolvido e ele está pronto na sua frente. Agora como você pode, concretamente, usá-lo para tomar melhores decisões? Chegou a hora de você entender algumas fórmulas que podem ser aplicadas para chegar a alguns indicadores financeiros puxando alguns itens integrantes do seu balanço, com o intuito de fazer uma boa análise financeira da empresa:
Indicadores de Renda
- Giro de Ativos = Vendas / Ativo Total
- Retorno sobre Ativos (ROA) = Lucro Líquido / Ativo Total
- Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) = Lucro Líquido / PL
Indicadores de Liquidez
- Liquidez Imediata = Caixa / Passivo Circulante
- Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante6
- Liquidez Seca = (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante7
- Liquidez Geral = (Ativos Circulantes + Realizável LP) / (Passivos Circulantes + Exigível LP)
- Capital de Giro = Ativos Circulantes – Passivos Circulantes8
Indicadores de Dívida
- Grau de Endividamento = Passivo Total / PL
- Endividamento Total = Passivo Total / Ativo Total
Indicadores de Rentabilidade
- Margem Líquida = (Lucro Líquido / Receita Líquida) x 100)
- ROE (Return on Equity) = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido
Esse conjunto de índices serve para contribuir, materialmente, com o diagnóstico da capacidade de pagamento, a eficiência operacional, o grau de alavancagem e a saúde financeira do seu negócio. Não significa que você precisa utilizar todos esses índices, mas é uma caixa de ferramentas: cada ferramenta tem o seu propósito, devendo ser utilizada quando se fizer necessário.
E o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE)?
O Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) são dois demonstrativos financeiros muito importantes para o acompanhamento da saúde financeira de qualquer entidade. Entretanto, não são documentos com conteúdos e propósitos idênticos. O Balanço Patrimonial consiste no detalhamento de ativos e passivos da empresa, ao passo que o DRE contabiliza as receitas e despesas do negócio, respeitando o regime de competência.
O regime de competência, por sua vez, representa um método de registro contábil em que se promove o registro dos lançamentos contábeis na data em que o evento acontece, isto é, nas datas dos documentos representativos de receitas ou despesas (ex.: data de assinatura do contrato). Isso significa que não importa quando esses créditos vão ser efetivamente recebidos ou dívidas vão ser efetivamente pagas, sendo relevante – para fins do DRE – tão somente quando a transação foi realizada.9
Se, porventura, a intenção é a apuração dos resultados da empresa concentrando o foco em quando os recebimentos/pagamentos efetivamente são realizados, adotar-se-á o regime de caixa. Isto é, trata-se do exato oposto do regime de competência, uma vez que o registro das despesas e receitas ocorre no momento do pagamento e do recebimento, semelhante a uma conta bancária. Nesse caso, o demonstrativo contábil adequado será o Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC), outra ferramenta poderosa para acompanhar a liquidez do negócio, visto que possibilita verificar a disponibilidade de caixa e equivalentes de caixa em um determinado período.
Diferentes usos práticos do Balanço Patrimonial:
Relevância em Rodadas de Investimento
O Balanço Patrimonial é um dos principais documentos analisados por investidores em rodadas de captação. Seja em uma rodada Seed ou Série A, os aportes de capital exigem uma análise criteriosa sobre o estado patrimonial da empresa. Não se trata apenas de verificar lucros ou prejuízos, mas sim de entender como os recursos estão sendo utilizados e qual é o grau de risco envolvido na operação.
Investidores institucionais, como fundos de venture capital, normalmente realizam processos de due diligence que incluem o exame detalhado das demonstrações financeiras, especialmente do Balanço Patrimonial. Isso faz com que eventual ausência de um Balanço bem estruturado ou a existência de inconsistências contábeis possa induzir desconfiança e até comprometer a operação como um todo.
Além disso, um Balanço Patrimonial organizado pode ser uma ferramenta de negociação a favor da startup. Ao demonstrar, por exemplo, uma baixa dependência de capital de terceiros, uma boa liquidez e a existência de ativos estratégicos (como propriedade intelectual registrada), o empreendedor pode justificar um valuation mais elevado e negociar melhores condições para o aporte.
Portanto, preparar o Balanço com antecedência e manter sua atualização periódica é essencial para quem deseja estar pronto para captar investimentos. Isso demonstra maturidade empresarial e responsabilidade com os recursos de terceiros — duas qualidades que são cada vez mais exigidas no competitivo mercado de inovação.
Balanço Patrimonial e Due Diligence: como estar preparado
O processo de due diligence, ou diligência prévia, é uma auditoria contábil, jurídica, financeira e técnica, que antecede processos de M&A (fusões e aquisições), bem como investimentos. Nesse processo, o Balanço Patrimonial é examinado minuciosamente, pois serve como uma base objetiva sobre a situação contábil, patrimonial e financeira da empresa. Para startups, isso pode ser decisivo!
Durante a due diligence, o Balanço revela passivos ocultos, inconsistências contábeis, falhas na classificação de ativos ou obrigações fiscais não reconhecidas. Investidores experientes sabem que muitas startups negligenciam a contabilidade no início da operação, por isso tratam o Balanço com extrema atenção.
Estar preparado significa não apenas apresentar um Balanço atualizado, mas também garantir que ele esteja em conformidade com os princípios contábeis aceitos (como o CPC10 e, eventualmente, o IFRS11, se você já estiver diante de uma operação mais amadurecida, relacionando-se com investidores internacionais). Também é importante que os lançamentos estejam respaldados por documentos fiscais, contratos e relatórios internos.
Outro ponto sensível em uma due diligence é a coerência entre o Balanço e os registros societários. Por exemplo, o capital social subscrito deve coincidir com os lançamentos contábeis, assim como a entrada de aportes externos precisa estar registrada de forma adequada. Desalinhamentos nesse aspecto podem causar atrasos ou gerar insegurança jurídica.
Dessa forma, startups que desejam estar prontas para crescer, captar recursos ou participar de processos de aquisição devem tratar o Balanço Patrimonial como um ativo estratégico. Uma contabilidade bem feita pode reduzir riscos na due diligence, acelerar processos de investimento e até aumentar o valor percebido do negócio.
Como o Balanço pode apoiar decisões estratégicas da startup
O Balanço Patrimonial fornece informações fundamentais para decisões estratégicas de médio e longo prazo. A análise do Ativo, do Passivo e do Patrimônio Líquido permite ao empreendedor entender a estrutura de capital da empresa e planejar investimentos, expansão, renegociação de dívidas ou, até mesmo, mudanças societárias.
Por exemplo, se a empresa possui um alto volume de contas a receber, mas pouca liquidez imediata, talvez seja o momento de revisar a política comercial ou adotar práticas mais rigorosas de cobrança. Por outro lado, se há grande concentração de passivos de curto prazo, a gestão pode buscar a renegociação com fornecedores ou a reestruturação financeira, como forma de assegurar maior disponibilidade de caixa.
Outro uso estratégico é na definição de metas financeiras e orçamentárias. Ao compreender como os recursos estão alocados — por exemplo, se o capital está imobilizado em ativos pouco produtivos —, os gestores podem realocar investimentos para áreas com maior retorno, como desenvolvimento de produto ou marketing digital.
Portanto, mais do que um documento obrigatório, o Balanço é um instrumento de inteligência empresarial. Ele possibilita a leitura estratégica da saúde financeira da startup, auxilia na mitigação de riscos e contribui para a consolidação de uma cultura de dados, essencial no ambiente dinâmico das empresas de tecnologia.
Conclusão
Esperamos ter conseguido transmitir uma ideia central acima de tudo: o Balanço Patrimonial não pode ser visto apenas como uma formalidade contábil. Essa é uma ferramenta de gestão estratégica, essencial para compreender a estrutura financeira da empresa e tomar decisões embasadas. Compreender a lógica por trás dos seus componentes e utilizá-lo como ponto de partida para análise é o caminho para profissionalizar a gestão e atrair parceiros, crédito e investimento.
Ainda que o empreendedor não tenha formação contábil ou jurídica, compreender o seu Balanço Patrimonial é uma atitude estratégica essencial. É muito mais do que um documento exigido pela legislação — é uma radiografia do negócio que revela, com clareza, onde estão os ativos, as dívidas e o valor real pertencente à empresa e aos sócios. Quando o gestor entende essa estrutura, ele ganha ferramentas para agir com racionalidade, avaliar o desempenho financeiro de ciclos passados e tomar decisões com base em dados concretos, e não apenas na intuição ou no fluxo de caixa momentâneo.
O Balanço permite que o empreendedor “olhe pelo retrovisor” com inteligência: por meio do Balanço, ele consegue identificar gargalos, reavaliar compromissos assumidos, revisitar a composição dos custos e enxergar pontos de ineficiência ou risco com mais nitidez. Isso contribui diretamente para a correção de rotas e para a otimização do uso dos recursos disponíveis. Também permite avaliar a real capacidade de pagamento da empresa, essencial para renegociar dívidas, estruturar financiamentos e melhorar a recuperação de créditos com inadimplentes. Em outras palavras, o balanço funciona como uma bússola de gestão.
Além disso, é um instrumento fundamental para quem busca crescer com sustentabilidade e atrair investidores. Um negócio que possui balanço bem estruturado transmite profissionalismo, transparência e controle. Investidores anjos, fundos de venture capital e até bancos olham com atenção não só o potencial de mercado da empresa, mas a solidez de sua estrutura financeira. O empreendedor que conhece seus números — ou que sabe questioná-los — tem muito mais condições de negociar boas condições e conquistar a confiança do mercado.
Por fim, vale destacar a importância de estar amparado por um suporte jurídico que vá além da leitura fria dos contratos. Um advogado com compreensão contábil e financeira consegue oferecer ao empreendedor uma visão integrada dos desafios do negócio, prevenindo riscos, otimizando estruturas societárias, acompanhando planejamentos tributários e garantindo segurança jurídica nas relações com investidores e parceiros. Em um ambiente de alta competitividade e constante transformação, contar com esse tipo de orientação não é luxo — é uma necessidade de quem deseja empreender com responsabilidade, estratégia e visão de longo prazo.
Caso você tenha interesse em mais conteúdos sobre startups, Direito Societário e recomendações práticas de como extrair o máximo da sua startup, ou, ainda, pretenda ter um apoio próximo para construir uma rede mais sólida de proteção para o patrimônio da sua empresa, entre em contato conosco. Estamos prontos para ajudar sua startup a crescer com segurança jurídica. Permaneça conectado no site e nas redes sociais da Caputo Duarte Advogados, nos quais sempre entregamos conteúdo atualizado e detalhado sobre startups, games, inovação e empreendedorismo.
*Rafael Duarte – Advogado, sócio do escritório Caputo Duarte Advogados, com atuação especializada em Startups, Studios de Games e Empresas de Base Tecnológica. Pós-graduando em Direito Digital e Proteção de Dados; Pós-graduado em Direito Público pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul; Pós-graduado em Direito Negocial Imobiliário pela Escola Brasileira de Direito; Pós-Graduado em Direito Imobiliário pela Faculdade Legale/SP; Pós-graduado em Direito de Família e Sucessões pela Faculdade Legale/SP; Mentor em programas de empreendedorismo e desenvolvimento de negócios inovadores, tais como InovAtiva Brasil, START (SEBRAE), entre outros; Diretor da Associação Gaúcha de Direito Imobiliário Empresarial (AGADIE) e Membro da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/RS.
Notas e Referências
1Lei Complementar n. 123/2006. Art. 27. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade simplificada para os registros e controles das operações realizadas, conforme regulamentação do Comitê Gestor.
2 Conselho Federal de Contabilidade. Resolução nº 1.330, de 2011. Disponível em: https://www.normaslegais.com.br/legislacao/resolucaocfc1330.htm. Acesso em: 14 jun. 2025.
3Conselho Federal de Contabilidade. Resolução nº 1.330, de 2011. Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG nº 1002, de 2021. Disponível em: https://www.dinamicasistemas.com.br/upload/files/NBCTG1002.pdf. Acesso em: 14 jun. 2025.
4Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosas (PCLD) faz-se presente quando uma empresa efetua vendas a prazo e está sujeita ao risco de receber ou não o seu crédito. É comum a aplicação de um determinado índice de risco de insolvência do devedor. Por mais que seja uma conta do ativo, é considerada uma “conta credora”; na prática, isso faz com que, apesar de ser contabilizada no ativo, ela acarreta uma “redução do ativo”, por entrar com saldo negativo, visto que reduz o montante total de “Contas a Receber”.
5 Note, aqui, que os mútuos conversíveis são lançados, contabilmente, como integrante do Passivo Não Circulante. Não obstante o mútuo conversível tenha a intenção futura de se transformar em participação societária (quotas ou ações), ele nasce como um contrato de dívida e permanecerá com essa natureza até que ocorra: (i) a conversão efetiva (mediante evento de liquidez, nova rodada, prazo contratual etc.); ou (ii) o aditamento contratual e deliberação societária para capitalização (com registro formal na Junta Comercial). Diante disso, startups early stage que já fizeram captações tendem a estar operando com Patrimônio Líquido negativo, enquanto os mútuos firmados não forem convertidos.
6 Em regra, uma Liquidez Corrente (LC) de 1,5 ou mais tende a ser suficiente para satisfazer as necessidades de operação. Contudo, não é recomendável uma LC muito alta (pois pode indicar desperdício de ativos, que poderiam estar sendo empregados para o crescimento da empresa).
7 É usual mirar na obtenção de uma Liquidez Seca superior a 1,0 para se assegurar de que existe dinheiro suficiente para o pagamento das despesas e, ainda, dar continuidade às operações da empresa.
😯 Capital de Giro é, basicamente, a apuração do quanto que, em termos líquidos, a empresa possui para construir o negócio. Qualquer atividade desenvolvida pela empresa depende do Capital de Giro; se ela não tiver Capital de Giro, precisará se capitalizar de alguma forma, assumindo dívidas financeiras e isso poderá não ser sustentável.
9Torres, Vitor. Regime de Competência ou Regime de Caixa: o que você precisa saber para a tomada de decisão. Contabilizei, 2022. Disponível em: https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/regime-de-competencia/. Acesso em: 14 jun. 2025.
10Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
11International Financial Reporting Standards, traduzida, livremente, como Padrões Internacionais de Relatórios Financeiros. Consiste em conjunto de normas contábeis desenvolvidas pelo International Accounting Standards Board (IASB).
Anversa, Luiz. Como ler um balanço patrimonial: entenda a estrutura e veja exemplos. Exame, 2024. Disponível em: https://exame.com/invest/guia/como-ler-um-balanco-patrimonial-entenda-a-estrutura-e-veja-exemplos/. Acesso em: 23 abr. 2025.
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Befumo, Randy. Como ler um balanço patrimonial. Fundamentus, 2025. Disponível em: https://fundamentus.com.br/pagina_do_ser/COMOLERUmBPATRIMONIAL.htm. Acesso em: 23 abr. 2025.
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O que é o balanço patrimonial e como interpretá-lo. Contador Agora, 2023. Disponível em: https://www.contadoragora.com/balanco-patrimonial/. Acesso em: 23 abr. 2025.
Torres, Vitor. Balanço patrimonial: o que é? Saiba como fazer e exemplos. Contabilizei, 2025. Disponível em: https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/balanco-patrimonial/. Acesso em: 23 abr. 2025.
Torres, Vitor. Regime de Competência ou Regime de Caixa: o que você precisa saber para a tomada de decisão. Contabilizei, 2022. Disponível em: https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/regime-de-competencia/. Acesso em: 14 jun. 2025.





