*Por Rafael Duarte
Introdução
No vasto universo das startups, um grupo específico vem ganhando atenção de investidores, governos e grandes empresas pela sua capacidade de gerar inovações verdadeiramente transformadoras: as deep techs. Diferente das startups tradicionais — que muitas vezes se baseiam em modelos de negócio escaláveis com tecnologias já consolidadas —, as deep techs têm como núcleo a adoção de hard science (“ciência dura”, em tradução livre). São baseadas em descobertas científicas, engenharia de ponta e avanços tecnológicos complexos, que demandam tempo de maturação diferenciado, elevado capital intelectual e um sólido aparato de proteção da propriedade intelectual.
Neste artigo, vamos explicar o que são as deep techs, destacando suas principais características e diferenças em relação às startups convencionais, com foco na origem científica, no ciclo de desenvolvimento mais longo e no papel estratégico das patentes e outros ativos intangíveis como vantagem competitiva. Em seguida, analisaremos o crescimento dos investimentos privados no setor, inclusive com dados que mostram como o retorno financeiro médio das deep techs já supera o de outros segmentos de tecnologia.
Exploraremos também o cenário latino-americano – com destaque para Argentina, Brasil e Chile, que concentram a maioria das startups deep tech da região -, mostrando como políticas públicas, como a Lei de Empreendedorismo Argentina de 2017, foram determinantes para impulsionar esse modelo de negócios.
Por fim, apresentaremos os principais instrumentos de fomento e programas públicos brasileiros que podem (e devem) ser acessados por empreendedores desse segmento, inclusive com orientações práticas sobre como estruturar juridicamente uma deep tech e proteger suas inovações. Afinal, em um mercado onde inovação real é cada vez mais valiosa, aliar ciência, estratégia jurídica e acesso a capital pode ser o diferencial entre uma boa ideia e um negócio de impacto global.
Antes de tudo: o que são, efetivamente, deep techs?
Deep techs nada mais são do que startups baseadas em investigação científica, com lastro em patentes, focada na atuação em inovação complexa, para resolver problemas de grande magnitude e impacto (ex.: tratamento de doenças, mobilidade, aquecimento global e desenvolvimento industrial). A primeira vez que o termo foi usado foi no ano de 2014, tendo sido cunhado pela social media indiana Swati Chaturvedi, para diferenciar empresas de “tecnologia profunda” das startups de internet, dispositivos móveis e comércio eletrônico (“tecnologia básica ou comum”).
Como definido pelo dicionário de Cambridge – ora traduzido livremente -, a startup deep tech é aquela que explora uma “área de negócio ou pesquisa que envolve o uso de ciência avançada e tecnologia, como inteligência artificial, blockchain, ou avanços em biotecnologia, para prover soluções para problemas complicados.”1
O diretor de Projetos e Novos Negócios na Emerge Brasil, Lucas Delgado2, contribui com o conceito, destacando que são empresas focadas em tecnologias de hard science, proponentes da resolução de problemas atuais de alto valor agregado ou construir as organizações do futuro. Por conta disso, trazem consigo riscos científico e tecnológico em adição aos riscos “usuais” de mercado; em contrapartida, são capazes de entregar um retorno acima da média ou proporcionar liderança de mercado para as empresas que investem.
As deep techs constituem, portanto, um verdadeiro “respiro de novidade” num universo recheado de “falsas inovações” – conforme bem define Athena Bastos3 -, ao chamar atenção para modelos de negócios que, em que pese se chamem de inovadores, não passam de novas funcionalidades em softwares já existentes. Por conta disso, torna-se igualmente necessário entender o que não é uma deep tech. E não devem ser consideradas deep techs as empresas que, por mais que se valham de tecnologia, desenvolvem produtos com tecnologia convencional (“tecnologia rasa”), como plataformas digitais convencionais, robótica convencional em automação industrial etc.4
Pensando em exemplos práticos de deep techs, podemos pensar:
Biotecnologia: Desenvolvimento de uma bactéria modificada para decompor resíduos plásticos, tendo forte impacto ambiental.
Inteligência Artificial aplicada à Saúde: Algoritmos que identificam doenças raras por imagem, acelerando diagnóstico e, subsequentemente, o tratamento.
Novos Materiais: Desenvolvimento de ligas metálicas ultraleves para aplicação aeroespacial.
Computação Quântica: Desenvolvimento de um hardware baseado em física quântica, superando todos os dispositivos atuais em termos de capacidade computacional.
Diante de tudo isso, surge a questão: o que há de comum entre todas as deep techs, pouco importando os seus segmentos de atuação (biotecnologia, robótica, inteligência artificial, entre outros)?
Em comum a tais empresas, todas fizeram descobertas científicas ou criaram inovações tecnológicas consideradas verdadeiramente disruptivas, não restritas, portanto, ao simples desenvolvimento de apps para smartphones ou melhoramentos em modelos de negócios preexistentes; são, portanto, aquelas empresas capazes de fazer inovação tecnológica pura.
2.1. Em que segmentos uma deep tech poderá atuar?
Algumas subdivisões de áreas de atuação para startups deep techs podem ser indicadas: a) Biotecnologia; b) Inteligência artificial; c) Eletrônica e fotônica; d) Drones e robótica; e) Materiais avançados; e f) Blockchain.
Ocorre que não existe uma limitação temática predeterminada, o que, inclusive, espelha adequadamente o próprio caráter inerentemente inovador e vanguardista desse tipo específico de empresa de tecnologia; isto é, considerando que a sua pretensão é estar sempre na “fronteira do conhecimento” e superando o estado da técnica – conceito sobre o qual falaremos a seguir -, é natural que novos mercados sejam, inclusive, criados pelas deep techs.
Nessa toada, outros exemplos de áreas de atuação potencial para deep techs são Computação Quântica, Energias Renováveis e Novos Materiais, ressaltando, novamente, que o “céu é o limite”, pois a criatividade é que irá ditar a real fronteira dessas empresas tão importantes para o futuro do planeta.
2.2. Como distinguir uma deep tech de uma startup convencional?
Para comparar uma deep tech e uma startup convencional, alguns fatores precisam ser levados em consideração. A correta qualificação fará diferença significativa na hora de determinar corretamente a sua estratégia de crescimento, proteção dos seus ativos e apresentação da sua empresa para terceiros. Como forma de simplificar a comparação, montamos a seguinte tabela:
| Aspecto | Startups Tradicionais | Deep techs |
| Base tecnológica | Tecnologias existentes | Ciência de ponta e pesquisa disruptiva |
| Ciclo de desenvolvimento | Curto | Longo, com validação técnica demorada |
| Riscos | Mercado | Mercado + técnico + científico |
| Proteção jurídica | Baixa – difícil de patentear | Alta – forte em propriedade intelectual |
| Tipo de inovação | Incremental | Radical/Transformadora |
Dados do Brasil, América Latina, Europa e do mundo como um todo, relativos ao panorama das deep techs
Vamos analisar os dados relativos às deep techs partindo, primeiramente, dos dados globais, depois vamos afunilando até chegar na realidade brasileira.
Os dados constantemente divulgados pela Tracxn5 nos ajudam a verificar o estado de coisas atual envolvendo as deep techs, permitindo que tenhamos catalogadas como empresas dessa natureza, hoje, um total de 85.800 empresas deep tech, as quais já conseguiram levantar US$ 956 bilhões em dinheiro de Venture Capital (VC) e Private Equity (PE)6, tendo, ainda, surgido 322 unicórnios dentro desse recorte.
A Tracxn nos mostra que foram realizadas 4.600 aquisições e 1.400 IPOs (aberturas de capital em bolsa de valores), o que representa 7% do total das empresas, percentual este superior ao exit rate de 5,4% para empresas de tecnologia em geral.
Abaixo segue o mapa por eles elaborado, representativo do cenário global de deep techs em maio de 2025:

Analisando-se a realidade na Europa, constatou-se uma evolução drástica nos investimentos em deep techs; de 2019 a 2023, a fatia dos investimentos europeus nesse tipo de empresas – calculada sobre o montante global de investimentos – saltou de 10% para 19%. Se analisados os investimentos aportados apenas em favor de empresas europeias, a diferença é ainda mais sensível: saiu de 18% para 44%, dentro desse mesmo intervalo.7
Em levantamento feito, apurando resultados de retornos econômicos com investimentos feitos em tecnologia, verificou-se que, desde 2003, as deep techs têm oferecido, consistentemente, a seus investidores retornos financeiros melhores; o retorno anual líquido tem sido de 16% para deep techs e 10% para startups tradicionais.
Em termos de riscos adicionais do investimento feito em deep techs, tem sido verificado que esses riscos estão muito concentrados nas fases iniciais do negócio; por sua vez, se a empresa consegue superar essa etapa inicial, os riscos são minorados, tornando a empresa claramente mais resiliente do que startups tradicionais, conforme mostra o seguinte gráfico da McKinsey & Company8:

Quanto aos dados na América Latina, os principais protagonistas são Argentina, Brasil e Chile, os quais somam 80% do total da região. Apesar de estar em 3ª posição em números absolutos, as deep techs chilenas superam em valor de mercado, visto que, somadas, estão avaliadas em cerca de US$ 2 bilhões, um quarto do valor total das empresas em toda a América Latina, conforme trazido por Cecilia Barría, da BBC News Mundo.9
O maior case de êxito na América Latina foi a deep tech Auth0, de origem argentina, voltada para o segmento de cibersegurança e que foi vendida em 2021 por US$ 6,5 bilhões, oportunidade em que atingiu o maior valor da história entre as deep techs latino-americanas.
Curiosamente, México e Colômbia servem de exemplos de países de grande porte e relevância no setor produtivo, mas atrasados em deep techs. Por mais que o México possua setor de manufatura e capital de risco amadurecido, possui tão somente 0,2 deep techs por milhão de habitantes. É o mesmo percentual encontrado na Colômbia, onde Barrína indicou estarem sediadas apenas 9 empresas dedicadas à tecnologia profunda.
Quanto aos segmentos das deep techs latino-americanas, tem-se que 60% são de biotecnologia, ao passo que 11% são de IA;. por mais que haja outros setores emergentes, representam uma porção ínfima, analisando o grande cenário. Vale ressaltar que a biotecnologia tende a seguir protagonizando na América Latina e alguns fatores servem de base para se chegar a essa conclusão, como o vínculo direto da região com a agricultura e a produção de alimentos, sua biodiversidade e um número significativo de profissionais dedicados a esse campo.
Por fim, no Brasil, alguns dados recentes são indicativos do crescimento das nossas startups de hard science. Dados levantados pela Liga Ventures em 2021 indicaram que, naquele ano, as deep techs brasileiras haviam movimentado cerca de R$ 88 bilhões, o que representava um crescimento de cerca de 25% ao ano.
Caso a sua intenção seja ter acesso a dados mais recentes, o Relatório Deep Techs Brasil 2024, da Emerge Brasil10, é uma ótima pedida. Esse estudo concluiu pela existência de 875 deep techs no Brasil, estando 65% delas sediadas no Sudeste, sendo majoritariamente dedicadas aos segmentos health e agro.
Uma questão importante de se levar em consideração é que esses números podem crescer e muito, por uma compilação de fatores: o Brasil tem quase 80% dos pesquisadores, mais da metade das patentes e 40% do total de investimentos de capital de risco, relativos à região.11
Outra particularidade extremamente interessante que o relatório aferiu é que possuímos deep techs de relevo espalhadas no interior do país, de modo que não estão concentradas apenas em grandes centros financeiros/econômicos. Uma delas é a NanoFood, localizada em Ouro Branco/MG, responsável por desenvolver um revestimento comestível e biodegradável que ajuda na preservação de frutos após a colheita (capaz de lidar com o seríssimo problema do desperdício de alimentos). A Antibiose com sede em Rio Branco/AC, é outro exemplo de deep tech, que, também é de biotecnologia, tendo criado um bioinsumo a partir de um fungo nativo da Amazônia, que não só previne doenças, mas também atua como fertilizante em cultivos de culturas como cacau e cupuaçu.12
Diferenciais de atratividade das deep techs
Agora que você já sabe todo o panorama global, regional e nacional das deep techs, pode estar se perguntando: por que esses números têm crescido tanto? A resposta a essa pergunta está diretamente atrelada aos diversos diferenciais competitivos de deep techs, responsáveis por torná-las tão atrativas aos olhos de investidores.
Em princípio, podemos começar pensando na existência de dois argumentos principais que colocam as deep techs numa posição diferenciada em relação a startups convencionais:
a) Vantagem competitiva – como há efetiva inovação, tem-se uma barreira de entrada13 sólida em relação aos competidores (não é só uma “boa ideia”, que pode, depois, ser copiada); e
b) Criação de novos mercados – por ser algo ontologicamente vanguardista, são capazes de gerar novos nichos de mercado, novos conceitos de tecnologia, além de novos cargos para empresas que desejam se manter competitivas.
No caso específico o item acima referente à Vantagem competitiva, essa questão está diretamente relacionada com a defensabilidade técnica: como a solução resolve um problema profundo com base científica – e não apenas operacional -, isso traz consigo significativas barreiras à imitação, especialmente proveniente dos casos em que as tecnologias são patenteadas ou protegidas como segredo industrial, tendo como resultado prático a substancial dificuldade de ingresso de novos entrantes no mercado.
Para o fim de sintetizar a questão sob a perspectiva do investidor, este não está diante de uma aposta numa boa ideia; ele está, na verdade, de olho no alto potencial de exploração exclusiva daquela solução inovadora, passível de cessão ou licenciamento com alto valor agregado.
A mudança do apetite do investidor para esse tipo de empresa relacionada com inovações mais profundas pôde ser percebida na fala de Lars Frølund, membro do Conselho Europeu de Inovação, durante o evento Energy Summit, realizado no Rio de Janeiro. À ocasião, ele afirmou que, com o amadurecimento de tecnologias (ex.: inteligência artificial), bem como a existência de crises globais, mudanças climáticas e pandemia, as deep techs deixaram de ser “filantropia”14, passando a se tornar, efetivamente, bons investimentos.
Por mais que as deep techs exijam mais investimentos numa fase inicial – chegando a demandar até 40% mais financiamento para atingir estágio de geração de receita quando comparadas com startups tradicionais15 e tendo um tempo de maturação mais longo16, exigindo mais resiliência dos empreendedores -, uma observação é imprescindível: é mito que as deep techs terem baixa “eficiência de capital”17
É inegável a necessidade de mais investimentos numa fase inicial, mas, considerando a possibilidade de obter diferentes fontes de investimento (ex.: fomentos estatais e instrumentos híbridos de dívida), de modo a não depender exclusivamente de investimentos provenientes do universo venture capital, isso oferece à deep tech mais recursos financeiros e menos comprometimento financeiro e de equity.
Proteção da Propriedade Intelectual das deep techs como passo imprescindível
Uma das maiores vantagens das deeptechs é que suas inovações podem ser protegidas pelas diferentes ferramentas de propriedade intelectual. A título exemplificativo, no caso específico das patentes, o seu registro tem o condão de garantir ao seu titular a exclusividade de exploração por até 20 anos, criando, assim, uma barreira legal contra concorrentes.
Em todos os casos, para que a patente seja efetivamente uma possibilidade para a empresa, precisarão ser preenchidos os requisitos do art. 8º da Lei de Propriedade Industrial (LPI). Isto é, a invenção precisará satisfazer os requisitos de “novidade, atividade inventiva e aplicação industrial”. Se esse for o caso, você precisará se certificar de seguir alguns passos fundamentais de modo a garantir, concretamente, que a sua criação preenche as exigências legais:
a) Realizar busca de anterioridade para verificar se a solução já é conhecida;
b) Redigir o pedido com precisão técnica e legal, especificando reivindicações claras;
c) Evitar a divulgação pública antes do depósito no INPI.
Isso, contudo, não substitui a necessidade de medidas adicionais, como a assinatura de contratos de confidencialidade e práticas reais e concretas de proteção de seus segredos industriais, que podem servir para ampliar os escudos protetores desses diferenciais competitivos que tanto pesam em favor das deep techs. Confira também sobre este tema em nosso artigo sobre Patentes para Deeptechs clicando aqui.
Com o propósito de deixar a questão mais palpável, vamos a alguns exemplos práticos de inovações de deep techs que poderiam ser registradas como patentes:
5.1) Deep tech de Biotecnologia
Exemplo: Uma bactéria geneticamente modificada para degradar microplásticos em ecossistemas marinhos, com eficiência superior às soluções conhecidas.
Por que seria patenteável?
a) Envolve manipulação genética inédita;
b) Apresenta aplicação industrial clara (saneamento ambiental);
c) Gera diferencial competitivo de difícil replicação.
5.2) Deep tech de Agricultura ou Bioprodutos
Exemplo: Fungicida natural derivado de um microrganismo da biodiversidade amazônica, capaz de atuar como biofertilizante e bioestimulante.
Por que seria patenteável?
a) É uma composição nova de origem biológica;
b) Exige descrição clara da molécula ativa e seu modo de ação.
5.3) Superação do “estado da técnica”
No contexto da propriedade industrial, estado da técnica é tudo aquilo que já se tornou acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por qualquer meio — seja por publicação escrita, oral, uso ou qualquer outra forma de divulgação, no Brasil ou no exterior.
O embasamento legal está no art. 11 da Lei da Propriedade Industrial:
Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados novos quando não compreendidos no estado da técnica.
Significa dizer, portanto, que não basta ter uma ideia criativa; se a sua intenção for buscar a proteção legal por meio de uma patente, será indispensável atingir uma criação que seja, simultaneamente:
a) Nova: não pode estar no estado da técnica;
b) Não óbvia: deve envolver atividade inventiva;
c) Aplicável industrialmente.
Startups deeptech geralmente desenvolvem soluções a partir de descobertas científicas recentes ou aplicações inéditas de tecnologia de fronteira. Isso quer dizer que elas operam no limite do estado da técnica – tentando ultrapassá-lo com novos métodos, processos ou materiais -, bem como que a validação da novidade e da atividade inventiva atrelada aos seus modelos dependerá de profundo entendimento do que já existe em termos científicos, contemplando, assim, literatura científica, patentes prévias, e aplicações industriais conhecidas.
5.4) Quais os passos práticos para se verificar o estado da técnica?
Tomemos como base uma startup que desenvolve um sensor biológico para diagnóstico precoce de Alzheimer. Os empreendedores dessa startup precisarão ter robusto entendimento acerca de:
a) Tudo que já foi publicado sobre biomarcadores neurológicos;
b) Todas as patentes relacionadas a biossensores para doenças neurodegenerativas; e
c) O que é considerado “óbvio” para um especialista da área.
O empreendedor de uma deep tech precisará ser não apenas um grande conhecedor técnico da sua área de atuação, mas precisará estar sempre atualizado, para garantir que sua invenção não esteja ultrapassada ou já desenvolvida por outro pesquisador ou empresa. Se for esse o caso, há um grande risco de ele estar perdendo tempo na expectativa de uma exclusividade de exploração que não existirá!
Isso leva a uma importante conclusão: o estado da técnica deve ser entendido, simultaneamente, como barreira e bússola:
a) Barreira jurídica: impede o registro de soluções “já conhecidas”, mesmo que não comerciais;
b) Bússola estratégica: ajuda a encontrar “gaps” tecnológicos onde vale a pena investir.
Como conclusão, tem-se que a análise prévia do estado da técnica não é apenas uma exigência legal ou formalidade burocrática; é, em verdade, uma etapa estratégica de P&D que irá nortear fundamentais decisões, tais como:
a) Vale a pena investir nesta linha de pesquisa?
b) Existe espaço para patente?
c) Podemos gerar um diferencial competitivo com exclusividade?
Como captar recursos públicos e fazer sua deep tech decolar
O governo, instituições de pesquisa e agências de fomento já perceberam: deeptechs podem transformar setores estratégicos — energia, saúde, agricultura, segurança digital etc. Por isso, editais públicos, leis de incentivo e fundos de investimento específicos estão sendo criados para estimular esse ecossistema.
Ocorre que há diferentes tipos de editais voltados para essas startups, a depender do tipo de contrapartida que é (ou não) exigida. Vamos a elas!
6.1. Subvenção Econômica – Recursos a Fundo Perdido
- Finep – Programa Mais Inovação: lançou 11 chamadas públicas em fluxo contínuo, com R$ 2,18 bilhões disponíveis, relacionado com a iniciativa “Inova Indústria Brasil”. Contempla projetos em agroindústria, saúde, mobilidade, semicondutores, bioeconomia, defesa etc. Os recursos são qualificados como não reembolsáveis, destinados a empresas de tecnologia, incluindo deeptechs.
- Linhas regionais – Finep Amazônia e Bioeconomia: subvenção de até R$ 100 milhões para P&D com participação de ICTs (Uniões com pesquisa pública).
6.2) Equity – Aportes mediante participação societária
- Finep Startup: modelo pioneiro no Brasil que investe em startups via opção de compra de ações; apoio de até R$ 30 milhões por rodada, com contrapartida mínima de investimento privado (investidor-anjo).
- Finep – Programa de Investimento Direto em Empresas Inovadoras: oferta de capital em troca de participação, com aporte estratégico, visando ao estímulo a empresas inovadoras, mediante operações de aquisição de participação societária, observadas a Política Operacional da Finep e as Políticas Industriais do Governo Federal.
6.3) Empréstimos Privilegiados – Juros Subsidiados
- Finep – Programa de Crédito Reembolsável: financiamentos com observação da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) ou TR (Taxa Referencial), conforme critérios fixados pela instituição. Em 2025, a tabela vigente consta aqui.
6.4) Co-investimento e Diversificação de Fontes
- FAPESP PIPE Investimentos: traz fundos privados, equity crowdfunding e investidores-anjo; integra capital de risco com R$ 30 milhões em co-investimento em fundos como Criatec 4 e Indicator 2 IoT (pesquisaparainovacao.fapesp.br).
- BNDES Garagem: programa dividido em dois módulos: (i) Criação, voltado para negócios de impacto que encontrem-se em estágio de ideação, validação, protótipo e ida a mercado; e (ii) Tração: voltado para negócios de impacto que faturem acima de R$250 mil ao ano, e encontrem-se em estágio de ida a mercado, tração e escala.
6.5) Diferenciais importantes a partir desse tipo de fonte de custeio:
Essas diferentes ferramentas trazem às deep techs uma longa série de vantagens, podendo ser exemplificadas com:
a) Redução de risco: subvenções permitem avançar em P&D sem comprometer caixa;
b) Acesso a capital estratégico: equity e CVC vinculam capital a redes e expertise;
c) Juros atrativos e prazos longos: facilitam a transformação científica em produto viável;
d) Credibilidade e tração: aprovação em editais públicos fortalece pitch para investidores, uma vez que isso já demonstra uma validação prévia da solução; e
e) Sinergia institucional: parcerias público-privadas (FAPESP, BNDES, Finep) oferecem suporte técnico e rede de contatos.
6.6) Dicas práticas para acessar esses recursos de fomento público:
A despeito da ampla disponibilidade de programas públicos e privados voltados para inovação, muitas deep techs encontram dificuldades para acessar esses recursos por falhas internas de estruturação. Diferente de um pitch para um investidor-anjo, programas de fomento exigem rigor, planejamento e formalização. Então seguem alguns passos fundamentais:
- a) Formalize e estruture juridicamente a sua empresa:
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- Mantenha o CNPJ ativo e compatível com atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) relacionados ao seu modelo de negócios (atenção especial aos CNAEs usados!);
- Tenha um contrato social atualizado, que demonstre claramente o escopo de atuação tecnológica e, se possível, regule, em acordo de sócios, a destinação de parte relevante dos resultados obtidos para reinvestimento em inovação, para manter a sua startup sempre na vanguarda tecnológica no seu segmento.
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- b) Tenha uma contabilidade organizada e transparente
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- Mantenha demonstrativos contábeis atualizados e corretamente elaborados, mesmo nos primeiros anos;
- Adote ferramentas de controle financeiro e DRE projetado, demonstrando sustentabilidade futura;
- Para programas como Finep Crédito e PIPE Investimentos, demonstrações financeiras formais e notas explicativas sobre P&D são frequentemente exigidas, de modo que, quanto mais cedo você já estiver familiarizado com esse tipo de medida de compliance contábil, mais fácil será satisfazer as exigências de tais instituições.
- c) Documente suas atividades de P&D
- Registre horas de pesquisa, evolução de protótipos, parcerias com universidades ou ICTs.
- Mantenha um relatório técnico de progresso, mesmo que informal, que possa ser transformado em anexo para submissão em editais.
- Se a inovação já estiver sendo protegida (como por patente ou depósito de software), anexe cópia do protocolo no INPI (ainda que o deferimento não tenha sido obtido até aquele momento, tendo em vista que os prazos para tanto são reconhecidamente longos18).
- d) Monte um projeto técnico consistente
- Elabore um Plano de Inovação claro, com:
- Objetivo do projeto;
- Problema a ser resolvido;
- Estado da técnica (benchmark científico);
- Descrição da tecnologia;
- Cronograma e metas; e
- Orçamento detalhado.
- Use modelos públicos de editais anteriores como base (ex: Finep, FAPESP PIPE, Centelha).
- e) Estabeleça parcerias estratégicas
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- Associe-se a ICTs19 (como universidades ou Embrapii) para fortalecer seu projeto.
- Formalize cartas de intenções de uso futuro, parcerias técnicas, ou acordos de confidencialidade — agregam valor na submissão do projeto.
- Entre em contato com alguma das diversas unidades EMBRAPII que esteja mais próxima da sua sede, para encontrar encontrar centros de pesquisa cofinanciadores.
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- f) Invista em comunicação técnica e estratégica
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- Apresente sua deep tech de forma clara, sem jargões excessivos;
- Evite superestimar resultados: foque no impacto técnico, diferencial competitivo e maturidade da equipe;
- Inclua um bom resumo executivo, que antecipe os pontos fortes do projeto em uma página.
- g) Esteja atento aos prazos e calendários
- Cadastre-se em boletins de órgãos como FINEP, BNDES, FAPESP e EMBRAPII.
- Alguns programas (como Finep Startups) operam em fluxo contínuo, mas possuem prazos internos e critérios competitivos, fazendo com que a preparação tenha de ser constante, e não apenas sazonal.
Conclusão
Vimos hoje que as deep techs são startups que se propõem a ser verdadeiramente inovadoras, estando voltadas a praticar inovação de base científica e tecnológica, visando a atacar – e potencialmente resolver – problemas de alta complexidade com soluções de impacto real. São empresas nascidas da pesquisa aplicada, da engenharia de ponta e do rigor acadêmico, e que se distanciam da superficialidade que por vezes marca o cenário de inovações digitais meramente incrementais, as chamadas “falsas inovações”. Justamente por isso, têm se consolidado como vetores estratégicos de transformação econômica, industrial e social, com potencial para reconfigurar setores inteiros como saúde, energia, agricultura, mobilidade e defesa.
Os dados apurados demonstram que o crescimento global das deep techs é expressivo e sustentado. Com mais de 85 mil empresas no mundo e quase um trilhão de dólares em capital captado, elas vêm se destacando pelo alto índice de retorno sobre investimento e pela criação de tecnologias disruptivas patenteadas. Na América Latina, países como Argentina, Brasil e Chile têm se posicionado com destaque, e, felizmente, o Brasil, em especial, reúne condições únicas para se tornar protagonista: concentra a maior parte dos pesquisadores da região, a maior base científica, metade das patentes latino-americanas e quase 40% do capital de risco investido na região.
Esse cenário representa uma oportunidade histórica para cientistas, engenheiros e acadêmicos brasileiros que desejam empreender com propósito, transformando conhecimento em soluções com impacto real. Mais do que nunca, o país precisa de inovação de verdade — e o ambiente de negócios está amadurecendo para receber essas iniciativas. No entanto, para que a tecnologia gere valor, é essencial protegê-la. Patentes, contratos de confidencialidade e uma estrutura jurídica sólida são instrumentos que não apenas blindam a inovação, mas a valorizam perante investidores e parceiros.
Por fim, é importante destacar que, em meio a tantos editais públicos e programas de fomento disponíveis, o diferencial competitivo também está em como a startup se estrutura. Ter ao lado um jurídico especializado não só em Direito, mas em inovação, que compreenda as particularidades da jornada científica-empreendedora, pode ser o fator decisivo para acessar recursos, evitar erros, proteger ativos e acelerar o crescimento. A inovação, afinal, não é apenas um experimento técnico — é também uma construção estratégica, e precisa estar juridicamente preparada para chegar mais longe. Nesse momento, enfatizamos: o seu conhecimento pode mudar o mundo. Com apoio jurídico certo, isso deixa de ser só uma possibilidade — e se torna um plano bem arquitetado!
Caso você tenha interesse em mais conteúdos sobre startups, inovação, Direito de Propriedade Intelectual e recomendações práticas de como extrair o máximo da sua startup, ou, ainda, pretenda ter um apoio próximo para construir uma rede mais sólida de proteção para o patrimônio da sua empresa, entre em contato conosco. Estamos prontos para ajudar sua startup a crescer com segurança jurídica. Permaneça conectado no site e nas redes sociais da Caputo Duarte Advogados, nos quais sempre entregamos conteúdo atualizado e detalhado sobre startups, games, inovação e empreendedorismo.
*Rafael Duarte – Advogado, sócio do escritório Caputo Duarte Advogados, com atuação especializada em Startups, Studios de Games e Empresas de Base Tecnológica. Pós-graduando em Direito Digital e Proteção de Dados; Pós-graduado em Direito Público pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul; Pós-graduado em Direito Negocial Imobiliário pela Escola Brasileira de Direito; Pós-Graduado em Direito Imobiliário pela Faculdade Legale/SP; Pós-graduado em Direito de Família e Sucessões pela Faculdade Legale/SP; Mentor em programas de empreendedorismo e desenvolvimento de negócios inovadores, tais como InovAtiva Brasil, START (SEBRAE), entre outros; Diretor da Associação Gaúcha de Direito Imobiliário Empresarial (AGADIE) e Membro da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/RS.
Notas e Referências
1“[…] an area of business or research that involves using advanced science and technology, such as artificial intelligence, blockchain, or advances in biotechnology, to provide solutions to complicated problems” (CAMBRIDGE DICTIONARY. Meaning of deep tech in English. Disponível em: https://dictionary.cambridge.org/us/dictionary/english/deep-tech. Acesso em: 14 jun. 2025).
2PACETE, Luiz Gustavo. Entenda o que são as deep techs e como surgiu o conceito. Forbes, 2022. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2022/05/entenda-o-que-sao-as-deep-techs-e-como-surgiu-o-conceito/. Acesso em: 14 jun. 2025.
3 BASTOS, Athena. Deep tech: o que é e qual o futuro desse tipo de companhia. Alura, 2024. Disponível em: https://www.alura.com.br/empresas/artigos/deep-tech. Acesso em: 14 jun. 2025.
4 TRACXN. Deep Tech Sector. Tracxn Technologies, 2025. Disponível em: https://tracxn.com/d/sectors/deep-tech/__fGHuXPykiPXNSK23Om0N3Dmr3SlBCa5i6U3rcbQ_2dA#about. Acesso em: 14 jun. 2025.
5 TRACXN. Deep Tech Sector. Tracxn Technologies, 2025. Disponível em: https://tracxn.com/d/sectors/deep-tech/__fGHuXPykiPXNSK23Om0N3Dmr3SlBCa5i6U3rcbQ_2dA#about. Acesso em: 14 jun. 2025.
6 Sobre as diferenças entre Venture Capital e Private Equity – e os fundos especializados nessas diferentes abordagens -, leia mais em: https://caputoduarte.com.br/fundos-de-investimento-de-venture-capital-e-private-equity/.
7 ERNTELL, Hannes et al. European deep tech: what investors and corporations need to know. McKinsey Digital, 2024. Disponível em: https://www.mckinsey.com/capabilities/mckinsey-digital/our-insights/european-deep-tech-what-investors-and-corporations-need-to-know. Acesso em: 14 jun. 2025.
8 ERNTELL, Hannes et al. European deep tech: what investors and corporations need to know. McKinsey Digital, 2024. Disponível em: https://www.mckinsey.com/capabilities/mckinsey-digital/our-insights/european-deep-tech-what-investors-and-corporations-need-to-know. Acesso em: 14 jun. 2025.
9 BARRÍA, Cecília. ‘Deep tech’: o que é tecnologia profunda e por que Brasil está em 2º em ranking latino. BBC News Mundo, 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy9q1l7w90jo. Acesso em: 14 jun. 2025.
10 EMERGE BRASIL. Relatório Deep Techs Brasil 2024. Emerge Brasil. Disponível em: https://emergebrasil.in/panorama-startups-deep-tech-brasileiras/. Acesso em: 14 jun. 2025.
11 BARRÍA, Cecília. ‘Deep tech’: o que é tecnologia profunda e por que Brasil está em 2º em ranking latino. BBC News Mundo, 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy9q1l7w90jo. Acesso em: 14 jun. 2025.
12 ANCANGELI, Cris. Alô empreendedores: você sabe o que é uma Deep Tech? Exame, 2025. Disponível em: https://exame.com/colunistas/empreender-liberta/alo-empreendedores-voce-sabe-o-que-e-uma-deep-tech/. Acesso em: 14 jun. 2025.
13 “Barreiras de entrada são obstáculos, como os elevados custos de início das atividades empresariais e os requisitos regulamentares, que impedem a entrada fácil de novos concorrentes num mercado, protegendo a fatia de mercado das empresas existentes.” (Tradução livre de: Hayes, Adam. Barriers to Entry: Understanding What Limits Competition. Investopedia, 2024. Disponível em: https://www.investopedia.com/terms/b/barrierstoentry.asp. Acesso em: 18 jun. 2025).
14 STARTUPS. TONDO, Stephanie. Deep tech é novo hype, diz membro do Conselho de Inovação da UE. Startups, 2024. Disponível em: https://startups.com.br/negocios/deeptech/deep-tech-e-novo-hype-diz-membro-do-conselho-de-inovacao-da-ue/. Acesso em: 14 jun. 2025.
15 ERNTELL, Hannes et al. European deep tech: what investors and corporations need to know. McKinsey Digital, 2024. Disponível em: https://www.mckinsey.com/capabilities/mckinsey-digital/our-insights/european-deep-tech-what-investors-and-corporations-need-to-know. Acesso em: 14 jun. 2025.
16 Cris Ancangeli relata que as deep techs levam, em média, cerca de 5 anos para se tornar rentáveis; isso faz com que seja fundamental aos empreendedores terem perseverança e coragem para encarar de frente essa jornada (ANCANGELI, Cris. Alô empreendedores: você sabe o que é uma Deep Tech? Exame, 2025. Disponível em: https://exame.com/colunistas/empreender-liberta/alo-empreendedores-voce-sabe-o-que-e-uma-deep-tech/. Acesso em: 14 jun. 2025.
17 “Eficiência de capital refere-se, de modo amplo, a quão eficientemente uma empresa consegue gastar o seu dinheiro para operar e crescer, e especificamente, serve para medir a relação entre quanto dinheiro é aportado no negócio e quanto dinheiro o negócio gera a partir desse investimento.” Tradução livre a partir de: “Capital efficiency refers broadly to how efficiently a company spends its money to operate and grow, and specifically, measures how much money is put into the business versus how much money the business generates from that investment.” (Capital Efficiency. Mosaic Tech, 2025. Disponível em: https://www.mosaic.tech/financial-metrics/capital-efficiency. Acesso em: 19 jun. 2025).
18 Sobre o tema, destaca-se o projeto desenvolvido em conjunto entre o INPI e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cujo intuito é a “[…] redução do tempo de concessão de patentes de quatro para dois anos até 2026.” (Brasil, Instituto Nacional de Propriedade Industrial. INPI e MDIC avançam para agilizar patentes e marcas no Brasil. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-e-mdic-avancam-para-agilizar-patentes-e-marcas-no-brasil. Acesso em: 19 jun. 2025).
19 Um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) é uma organização sem fins lucrativos, que pode ter administração pública ou privada, com objetivo de realizar e incentivar pesquisas científicas e tecnológicas. Dessa forma, cria soluções para as necessidades da sociedade. Os ICTs prestam serviços à empresas que almejam desenvolver inovações para impactar o mercado. Essa entidade está ligada a toda a gestão de processos internos de uma instituição e se faz necessária para que as tecnologias disponíveis realmente se apliquem às necessidades do mercado. (Brasil, Universidade Federal de Juiz de Fora. O que são ICTs? 2024. Disponível em: https://www2.ufjf.br/critt/2024/02/01/o-que-sao-icts/. Acesso em: 19 jun. 2025).
Ancangeli, Cris. Alô empreendedores: você sabe o que é uma Deep Tech? Exame, 2025. Disponível em: https://exame.com/colunistas/empreender-liberta/alo-empreendedores-voce-sabe-o-que-e-uma-deep-tech/. Acesso em: 14 jun. 2025.
Bastos, Athena. Deep tech: o que é e qual o futuro desse tipo de companhia. Alura, 2024. Disponível em: https://www.alura.com.br/empresas/artigos/deep-tech. Acesso em: 14 jun. 2025.
Barría, Cecília. ‘Deep tech’: o que é tecnologia profunda e por que Brasil está em 2º em ranking latino. BBC News Mundo, 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy9q1l7w90jo. Acesso em: 14 jun. 2025.
Brasil, Instituto Nacional de Propriedade Industrial. INPI e MDIC avançam para agilizar patentes e marcas no Brasil. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-e-mdic-avancam-para-agilizar-patentes-e-marcas-no-brasil. Acesso em: 19 jun. 2025.
Brasil. Lei 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Brasília/DF. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm. Acesso em: 19 jun. 2025.
Brasil, Universidade Federal de Juiz de Fora. O que são ICTs? 2024. Disponível em: https://www2.ufjf.br/critt/2024/02/01/o-que-sao-icts/. Acesso em: 19 jun. 2025.
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Hayes, Adam. Barriers to Entry: Understanding What Limits Competition. Investopedia, 2024. Disponível em: https://www.investopedia.com/terms/b/barrierstoentry.asp. Acesso em: 18 jun. 2025
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