*Por Rafael Duarte
1) Introdução: O M&A como Fator de Maturidade do Ecossistema
O mercado de tecnologia brasileiro tem sinalizado uma mudança de paradigma. O crescimento acelerado por meio da queima de caixa, típico das startups em fase inicial, naturalmente conduz a um ponto de inflexão: chega o momento em que a captação constante de capital externo deixa de ser suficiente ou sustentável. Isto é, quando uma startup amadurece e se torna uma scale-up, o capital dos investidores que sustenta a queima de caixa não é mais ilimitado, tornando-se imperativo pensar em alternativas.
Neste momento, surge a necessidade de buscar novas formas de aumentar a receita. Embora empresas maduras busquem tradicionalmente o crescimento orgânico (aumento de receita por estratégias internas), a alternativa de crescimento inorgânico – como a aquisição de outra empresa do mesmo segmento para aumentar a receita – ganha destaque. Esse movimento, que historicamente era mais dado a grandes corporações, está sendo cada vez mais adotado por empresas jovens, levando-as a “copiar um movimento muito tradicional de grandes empresas que é o M&A1“.
Neste ponto, é importante esclarecer que “M&A” é a sigla em inglês para “Mergers and Acquisitions”, que identifica o processo de fusões e aquisições entre empresas, abrangendo situações nas quais uma companhia compra, é vendida, ou se funde com outro player do mercado.
A relevância dessa estratégia está evidenciada no cenário atual das empresas de tecnologia brasileiras. O mercado de Fusões e Aquisições no Brasil iniciou 2025 em ritmo acelerado, com o número de transações crescendo 71,1% no primeiro semestre em comparação ao período anterior.2 Esse avanço reflete forte aumento da demanda para esse tipo de operação, impulsionado por um número crescente de empresas que apostam em aquisições para preencher lacunas estratégicas.3 Nesse ambiente, é preciso ser muito claro: entender, pelo menos, o básico de operações M&A não é opcional, e sim uma necessidade imposta a fundadores que buscam exit ou expansão sustentável de seus negócios.
2) Fundamentos e Estrutura do Negócio de M&A
Mais do que simples acordos, as operações de Fusões e Aquisições (M&A) são o catalisador estratégico para o crescimento inorgânico, a consolidação de mercado e a materialização de sinergias. Para entender o impacto total, é fundamental distinguir as diferentes formas jurídicas em que essa tão relevante estratégia pode ser arquitetada.
2.1) Tipos de Transações: Aquisição vs. Combinação de Negócios
Embora a sigla M&A combine diferentes conceitos, é crucial distinguir a natureza jurídica da operação, entre fusões e aquisições:
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- a) Combinação de Negócios (Fusão) → Dá-se quando duas ou mais empresas decidem se unir com o propósito de compartilhar recursos e responsabilidades, gerando uma empresa nova;4
- b) Aquisição → Movimento consumado quando uma empresa adquire a totalidade ou parte da participação societária ou dos ativos de outra, obtendo, a partir da negociação o controle sobre as operações e/ou ativos adquiridos. Ao contrário de um mero investimento – em que apenas uma parcela pequena do equity (participação) é comprada -, na aquisição, a empresa compradora passa a deter o total domínio da tecnologia e dos processos da adquirida.
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Um exemplo ilustrativo de fusão de startups é a união entre a MaxMilhas e a 123Milhas, ambas do segmento de venda de passagens aéreas, visando ao fortalecimento mútuo e a expansão das operações.
Já no caso de aquisição estratégica, um exemplo é a compra de participação na XP Investimentos e na corretora americana Avenue pelo Banco Itaú, movimento este realizado com o propósito de aumentar receitas, conquistar um público diverso do cativo e ampliar o portfólio de ofertas para os clientes.5
2.2) Os Agentes do Processo: Buy-Side e Sell-Side
No caso de uma operação de aquisição societária, a transação envolve, de maneira simplificada, duas partes principais6:
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- a) Sell-Side (Vendedor): Representa aqueles que vendem a empresa. O sell-side abrange, assim, fundadores de startups em busca de seu evento de saída – o famoso exit -, bem como as próprias empresas, quando estiverem colocando seus ativos total ou parcialmente à venda.
- b) Buy-Side (Comprador): Representa os investidores, empresas e grupos que desejam adquirir startups para expandir e acessar novos mercados ou tecnologias. O buy-side engloba diversas entidades, como fundos de private equity e venture capital, investidores institucionais ou de varejo, ou outras corporações.
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Em ambos os lados, a negociação é conduzida por empreendedores e diretores, influenciada por investidores e conselheiros, e estruturada por advogados, contadores e assessores de M&A. Como será mais bem apontado em tópico específico, já se pode enfatizar que, dada a complexidade dessas operações, o acompanhamento de tais profissionais especializados é instrumental.
3) As Quatro Principais Estratégias para Realizar um M&A
A decisão de realizar uma operação de M&A é motivada por objetivos estratégicos claros, que vão além do simples acesso a capital. Esse tópico, portanto, serve para explicar os quatro principais motivadores (drives) que influenciam as partes a optarem por percorrer o caminho do M&A.
3.1) Expansão de Portfólio de Produtos e Cross-Sell
O primeiro motivo para um M&A é o aumento do portfólio de soluções7, o que tende a incrementar a receita. Com novos produtos incluídos, a empresa adquire a capacidade de fazer cross-sell8 com sua base de clientes já existente, oferecendo alternativas complementares às originais. Conseguir mais receita do mesmo cliente é, em geral, mais fácil e rentável do que vender para um cliente novo, sendo parte essencial do crescimento de qualquer negócio.
A compra da startup chilena Cornershop pela Uber é um exemplo elucidativo. Por mais que a Uber já possuísse o Uber Eats, a aquisição da Cornershop – focada em entregas de supermercado – teve a capacidade de complementar a estratégia da empresa de ser um delivery de tudo. De maneira análoga, a TOTVS adquiriu a RD Station para complementar seu portfólio de produtos – adicionando, assim, solução específica para automação de marketing -, demonstrando o uso dessa estratégia por grandes empresas ao comprar startups.
3.2) Velocidade na Aquisição de Tecnologia Pronta
Em vez de construir uma tecnologia inteiramente do zero para entrar em um novo mercado, é preferível adquirir uma startup que já possua essa tecnologia pronta. É notório que a aquisição de uma empresa proprietária de ativos de propriedade intelectual pronta, acelera drasticamente a curva de sucesso na exploração desse novo ativo. A ponderação é bem simples e direta: “se a sua empresa vai entrar em um novo mercado agora, é mais fácil construir uma tecnologia totalmente do zero ou comprar alguma startup que já possui essa tecnologia pronta?9”
Exemplo muito claro disso foi o movimento feito pela Google, ao comprar a empresa que criou o sistema operacional Android Inc. por US$ 50 milhões, em vez de desenvolver o sistema inteiro do zero.
3.3) Acqui-hiring: O M&A de Pessoas e Talentos
O acqui-hiring (aquisição por contratação) é uma estratégia em que o valor da compra reside primariamente nas pessoas e na equipe da empresa target (adquirida), e não necessariamente em seus ativos tangíveis ou intangíveis. É, essencialmente, um M&A de pessoas, por meio do qual a marca da empresa adquirida, frequentemente, acaba desaparecendo após a operação.
Grandes companhias usam essa tática para captação direta de talentos especializados, o que é de extrema relevância em mercados altamente competitivos. Essa estratégia é reconhecidamente utilizada pela Apple, tendo o CEO Tim Cook mencionando que a empresa promove compras a cada 2 ou 3 semanas, muitas vezes em negociações sigilosas, com essa finalidade.10
3.4) Sinergia e União de Forças
O último motivo central para a realização do M&A é a busca por sinergia, visando à extração do melhor das duas empresas envolvidas na negociação. Exemplo trazido anteriormente serve para identificar esse tipo de movimentação: a fusão entre MaxMilhas e 123Milhas, em que as empresas estavam projetando o fortalecimento mútuo dentro do mesmo segmento, permitindo que as empresas combinadas passem a atingir resultados maiores e expandam suas operações de modo que não conseguiriam se seguissem atuando sozinhas.
Esse tipo de movimentação tende a ser objeto de controle monopolístico, quando as empresas envolvidas são muito grandes e eventual concentração sinérgica carrega consigo um risco muito grande de redução da concorrência. Nesse cenário, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), autarquia federal brasileira vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, exerce papel nuclear: fiscalizar e aprovar (ou não) eventuais operações que possam ter esse efeito negativo para o mercado consumidor, uma vez que a entidade possui como “missão zelar pela livre concorrência no mercado.11”
Um exemplo disso foi a fusão entre a BRF e a Marfrig, ocorrida em setembro de 2025. Com isso, a empresa resultante, a MBRF Global Foods Company, passa a ser “uma das maiores do setor de alimentos do mundo, com presença em 117 países, faturamento anual de R$ 152 bilhões e um portfólio de mais de 37 marcas líderes no segmento de proteínas e processados, como Sadia, Perdigão e Bassi.12”
4) Análise de Riscos: Os Desafios Jurídicos e Operacionais do M&A
Realizar um M&A, independentemente do polo negocial em que você estiver – seja no buy-side, seja no sell-side -, significa, necessariamente, lidar com um terreno repleto de riscos e complexidades que exigem assessoria jurídica personalizada. A ciência acerca dos desafios inerentes a esse tipo de operação é fundamental para que o processo seja realizado da melhor forma possível.
4.1) A Morosidade e o Foco Operacional
O tempo é um fator determinante. Um processo de M&A, a despeito de possuir um fluxo claro em termos de etapas necessárias a serem percorridas, o tempo de execução pode ser variável, podendo oscilar de 6 a 24 meses13, sendo comum que supere o prazo de 12 meses, dada a sua complexidade e multiplicidade de variáveis que dizem respeito a esse tipo de operação.
Essa morosidade exige, naturalmente, dedicação e foco dos empreendedores. Ao mesmo tempo, os fundadores devem assegurar que as operações diárias sigam funcionando sem interrupções durante as negociações, pois a manutenção da estabilidade operacional preserva o valor da empresa, transmite confiança e comprometimento aos potenciais compradores14, bem como se torna decisiva quando grande parte do valor da operação está alicerçado no atingimento de metas futuras (earnout).
4.2) A Auditoria Detalhada: Due Diligence (DD)
A Due Diligence é uma etapa fundamental e crítica, consistindo em uma auditoria detalhada, realizada pela compradora ou por consultoria terceirizada, cujo propósito central é analisar todos os aspectos relevantes da empresa alvo (target): essa análise contempla elementos societários, contábeis, financeiros, tecnológicos, regulatórios e de compliance.
O objetivo da DD é, pois, dúplice: (i) entender a viabilidade financeira da operação; e (ii) identificar inconsistências ou passivos ocultos (como riscos trabalhistas ou societários) que possam ou servir para impedir a concretização da negociação ou reduzir o preço final da operação.
A realidade do mercado de M&A revela que os compradores atuais estão mais exigentes, esperando, portanto, que as startups alvo estejam com a “casa arrumada”, o que inclui finanças organizadas, boa governança e estrutura jurídica adequada.15 A ausência desses pressupostos pode não apenas reduzir significativamente o valor da operação, mas também inviabilizar a sua concretização, gerando uma perda de oportunidade muito prejudicial aos fundadores da sell-side.
4.3) A Complexidade do Valuation e a Fixação de Preço
A fixação do preço de aquisição (Valuation) – tema sobre o qual você pode conferir melhor aqui – é um dos maiores pontos de impasse, pois o comprador sempre busca pagar o menor valor, e o vendedor, obter o maior possível. O desafio em startups reside no fato de que o valuation se baseia frequentemente em projeções de crescimento e potencial de mercado, não apenas de dados financeiros concretos passados. Fatores como o tamanho do mercado, a taxa de crescimento esperada e a posição competitiva influenciam diretamente essa análise16. Como as startups são essencialmente qualificadas como empresas submetidas a incertezas acima da média – quando comparadas com empresas tradicionais -, tais projeções futuras assumem um grau ainda maior de imprecisão.
Nesse sentido, a escolha do método de valuation deve ser uma decisão clara e bem fundamentada, a fim de conferir um norte saudável para as negociações. Definir um valor realista e embasado aumenta a probabilidade de liquidez da empresa e facilita um exit estratégico. É por isso que o domínio de métricas financeiras, como Taxa Interna de Retorno (IRR) e múltiplos de investimento, é essencial para alinhar as expectativas dos fundadores do sell-side com a realidade do mercado e dos investidores do buy-side.17
4.4) Formas de Pagamento e a Cláusula de Earnout
Ao contrário do que muitos empreendedores imaginam, o pagamento do valor de aquisição nem sempre é feito integralmente em dinheiro, e menos ainda em parcela única. A prática cotidiana de operações de M&A evidencia ser bastante comum que parte do pagamento seja, inclusive, realizada por meio da entrega de ações da compradora – tal como se deu no caso da compra da Cornershop pela Uber.18/sup> Nesses casos, realiza-se o valuation de ambas as empresas para determinar um valor justo de troca.
Outra cláusula sensível é a de earnout. Como o valuation é projetado com base no futuro potencial da empresa, parte do preço de aquisição pode ser condicionada ao atingimento de metas de desempenho específicas pós-aquisição. Para que esse mecanismo maximize o valor final, é crucial realizar o M&A ainda na fase de crescimento, pois o potencial de expansão durante o período do earnout pode gerar maiores retornos. De modo diverso, caso a operação se dê já na etapa de estagnação, as chances de não atingimento das metas futuras aumentam.
O gráfico elaborado pela Questum19 é altamente elucidativo dessa particularidade a respeito do timing das operações de M&A na perspectiva dos fundadores:
5) O Pós-Deal: Cultura, Transição e Retenção
A fase pós-aquisição, chamada de Integração, é determinante para o sucesso da operação, podendo durar de 2 a 4 anos. É uma fase bastante sensível e delicada, tendo em vista que consiste na conexão entre empresas com valores, princípios, organizações e dinâmicas muitas vezes substancialmente distintas; essa discrepância de particularidades pode ser o espaço fértil para relevantes conflitos, que precisam ser muito bem administrados.
5.1) O Choque Cultural e a Perda de Autonomia
Um dos maiores desafios é, como mencionado, o choque de culturas. Startups são caracterizadas por uma cultura flexível e única, que pode entrar em conflito com a estrutura mais ampla e corporativa da empresa adquirente. Se a cultura for muito diferente, é necessário determinar qual delas prevalecerá, pois a coexistência pode ser problemática.
A integração eficiente é complexa, e as diferenças operacionais, tecnológicas e culturais podem gerar conflitos internos e resistência às mudanças por parte da equipe, fornecedores e clientes da empresa adquirida. Além disso, a grande empresa adquirente pode priorizar a rentabilidade imediata, o que frequentemente entra em conflito com a mentalidade de inovação a longo prazo das startups, resultando em cortes de recursos em áreas cruciais, como Pesquisa e Desenvolvimento, por exemplo.
5.2) Continuidade dos Fundadores e Transição de Know-How
É preciso ter clareza de que a imensa maioria das operações de M&A não abrange a autorização de que o empreendedor simplesmente “saia do negócio” imediatamente. É comum que o fundador responsável pela empresa vendida precise permanecer na operação por um período (em média, 2 a 4 anos) para transmitir o know-how operacional para o comprador e os profissionais que este alocar para participarem desse processo de migração de conhecimento.
Essa permanência é garantida, em muitos casos, por cláusulas de retenção ou earn-out (já discutidas anteriormente). A fase de integração envolve a sincronização de processos, ajustes na equipe, novas regras financeiras e adaptação à cultura corporativa.
Em todo esse processo, não se pode vislumbrar um pós-deal efetivamente bem-sucedido sem planejamento, comunicação clara e alinhamento estratégico definidos ainda durante as negociações.
6) Tendências de Mercado e A Preparação Estratégica
Explicado todo o panorama de fusões e aquisições, com detalhe para os termos necessários para que você possa compreender todo esse mundo à parte, vamos abordar um pouco sobre o cenário brasileiro de M&A. Segundo o relatório “M&A Deals Report 2025 H1”, elaborado pela Questum20, estamos vivenciando um amadurecimento desse mercado, avanço este liderado por uma diversidade maior de empresas compradoras, afastando o protagonismo dos “compradores seriais” (ex.: Totvs, Linx e LWSA, antiga Locaweb) e, assim, pulverizando o mercado.
6.1) Setores em Alta e Modelos de Negócios Cobiçados
A dinâmica do setor de tecnologia é influenciada pelo protagonismo da Inteligência Artificial (IA), cujas startups com domínio técnico e aplicações práticas (em automação, análise de dados ou ganho de eficiência) estão entre os ativos mais cobiçados.
Outro setor em ascensão é o de cibersegurança. O aumento das fraudes digitais, a intensificação da proteção dos dados sensíveis com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o uso indevido da IA para golpes criaram uma urgência por soluções robustas de proteção, colocando IA e segurança como duas faces da mesma moeda no avanço digital.
Em termos de modelos de negócio, o mercado B2B (Business-to-Business) focado em SaaS (Software as a Service) segue na liderança, devido à sua escalabilidade, previsibilidade de receita e margens atrativas.
Todavia, uma curiosidade importante é que, pela primeira vez, no primeiro semestre de 2025, as fintechs (startups voltadas aos serviços financeiros) superaram as empresas de ERP em volume de transações, reflexo de um mercado mais maduro e dos avanços regulatórios conduzidos pelo Banco Central e pela CVM.
6.2) Dados Interessantes do Período entre 2019-2024
Uma primeira observação importante de se fazer sobre as conclusões decorrentes do relatório realizado pelo escritório Mattos Filho e pela Sling Hub, está atrelada à constatação do aumento da participação de startups no buy-side. Ao passo que, em 2020, a participação era de só 29%, esse percentual subiu para 51% no 1º semestre de 2024.
Referida modificação conjuntural sinaliza a absorção cada vez mais comum no planejamento de startups brasileiras de se valer de operações de M&A não apenas como alternativa de exit – quando está no polo vendedor da operação –, mas também como aceleração de seu crescimento, adquirindo outras startups de menor porte.
Constatou-se, ainda, o protagonismo das fintechs, que representaram 21% do total de startups adquiridas nesse mesmo período e, mais recentemente, no 1º semestre de 2024, as deeptechs – startups baseadas em investigação científica apoiada por inovação científica complexa, focada em “problemas como o tratamento de doenças, mobilidades, aquecimento global e desenvolvimento industrial”21 – chegaram ao pódio, representando 14% das operações ocorridas nessa janela temporal.
7) Conclusão: O Imperativo da Assessoria Especializada
O M&A é uma ferramenta de crescimento inorgânico extremamente valiosa para empresas que atingem a maturidade, permitindo-lhes entrar em novos mercados, buscar talentos e adquirir nova tecnologia; da mesma forma, é uma alternativa fundamental para oportunizar o exit de fundadores, obtendo retornos financeiros muito favoráveis mediante a venda das startups por si desenvolvidas.
Todavia, a natureza complexa desse negócio jurídico – envolvendo due diligence, estruturação pormenorizada da transação, análise regulatória, planejamento tributário, e negociação de contratos acessórios – demanda suporte especializado, de diferentes profissionais, todos necessariamente capacitados para lidar com tais particularidades.
Isso faz com que, muito embora o processo possa ser tentado de forma autônoma, contar com a expertise de advogados, contadores e assessores de M&A aumenta significativamente a taxa de sucesso e o valor embolsado no final da operação. Nesse sentido, estruturar bem essa fase garante uma transição mais suave, minimizando conflitos internos e riscos financeiros.
Em última análise, assim como a complexidade crescente de uma scale-up exige uma governança robusta, a venda ou aquisição de uma empresa requer que todos os pilares jurídicos e financeiros sejam sólidos. Não se trata apenas de fechar o deal, mas sim de garantir que a base da transação seja sólida, assegurando que o sucesso do exit não fique apenas no papel, mas se materialize em valor real para os fundadores e para o futuro da nova organização.
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*Rafael Duarte – Advogado, sócio do escritório Caputo Duarte Advogados, com atuação especializada em Startups, Studios de Games e Empresas de Base Tecnológica. Pós-graduando em Direito Digital e Proteção de Dados; Pós-graduado em Direito Público pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul; Pós-graduado em Direito Negocial Imobiliário pela Escola Brasileira de Direito; Pós-Graduado em Direito Imobiliário pela Faculdade Legale/SP; Pós-graduado em Direito de Família e Sucessões pela Faculdade Legale/SP; Mentor em programas de empreendedorismo e desenvolvimento de negócios inovadores, tais como InovAtiva Brasil, START (SEBRAE), entre outros; Diretor da Associação Gaúcha de Direito Imobiliário Empresarial (AGADIE) e Membro da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/RS.
Referências
1 M&A para Startups: como funciona. Startup Hero, 2023. Disponível em: https://startuphero.com.br/ma_para_startups/. Acesso em: 17 set. 2025.
2Carmen, Gabriela Del. M&As no Brasil disparam no 1º semestre de 2025, com alta de 71%. Startups, 2025. Disponível em: https://startups.com.br/pesquisas/mas-no-brasil-disparam-no-1o-semestre-de-2025-com-alta-de-71/. Acesso em: 17 set. 2025.
3 Vide item 2.
4 “Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.” (Brasil. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 15 dez. 1976. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 09 jan. 2026)
5 Vide item 1.
6Frasson, Bruna; Vidigal, Pedro. M&A e startups: uma visão jurídica sobre os prós e os contras. Startups, 2024. Disponível em: https://startups.com.br/coluna/ma-e-startups-uma-visao-juridica-sobre-os-pros-e-os-contras/. Acesso em: 17 set. 2025.
7Vide item 6.
8“Também conhecida como venda cruzada, o cross selling é uma técnica que explora uma venda garantida para fazer outra. Ela acontece quando um cliente faz a compra de um ou mais produtos ou serviços além da compra inicial.” (XP INVESTIMENTOS. O que é cross selling? Conheça e saiba como usar! Disponível em: https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/cross-selling/. Acesso em: 07 jan. 2026.
9Vide item 1.
10Zetlin, Minda. Tim Cook Says Apple Acquires a Company Every 2 or 3 Weeks. Here’s the Real Reason Why. Inc., 2019. Disponível em: https://www.inc.com/minda-zetlin/tim-cook-apple-acquires-company-every-2-weeks-acquihire-acquisition-platoon.html. Acesso em: 17 dez. 2025.
11Brasil, Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), 2021. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/orgaos/conselho-administrativo-de-defesa-economica. Acesso em: 17 dez. 2025.
12 Said, Flávia. Tribunal do Cade aprova, por unanimidade, fusão entre BRF e Marfrig, sem restrições. Terra, 2025. Disponível em: https://www.terra.com.br/economia/tribunal-do-cade-aprova-por-unanimidade-fusao-entre-brf-e-marfrig-sem-restricoes,0c1cfe44bf01ad5b52f95c3d403b54a7lk9fwqxr.html. Acesso em: 17 dez. 2025.
13 Assunção, Rafael. Tudo sobre M&A para startups. Questum, 2025. Disponível em: https://questum.com.br/blog/tudo-sobre-ma-para-startups. Acesso em: 02 nov. 2025.
14 Souza, Tiago. Fusões e Aquisições (M&A) para startups: estratégias essenciais. Startupi, 2025. Disponível em: https://startupi.com.br/fusoes-e-aquisicoes-para-startups/. Acesso em: 17 set. 2025.
15 Vide item 2.
16 Vide item 11.
17 Vide item 12.
18 Vide item 1.
19 Vide item 11.
20 Vide item 2.
21 Saiba o que são as deep tech. Sebrae Brasil, 2023. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/saiba-o-que-sao-as-deep-tech,93632222448b6810VgnVCM1000001b00320aRCRD. Acesso em: 11 jan. 2026.
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